domingo, 13 de fevereiro de 2011

EGIPTO - UM EXEMPLO PARA O MUNDO!

O povo egípcio mostrou ao mundo a sua garra. Mas foi a capacidade de união que deu a vitória aquele povo. 

Que sentido de comunidade, num povo esmagado pela tirania politica e económica, com um rendimento per capita tão baixo. As divisões religiosas, as divergências politicas, as divergências pessoais, foram ultrapassadas.

A propósito do poder, respondem os espíritos às questões 931 e 932, de Allan Kardec, em "O Livro dos Espíritos":  

931. Por que são mais numerosas, na sociedade, as classes sofredoras do que as felizes?

“Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas, por ser a Terra lugar de expiação. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espíritos bons, o homem deixará de ser infeliz aí e ela lhe será o paraíso terrestre.”
932. Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?
“Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.” 

No Egipto, que para mim se diz e escreve com "p", por enquanto, os bons (ou seja, os que , ao momento, são moralmente mais avançados), venceram com base na força que a união lhes trouxe.

O problema agora,  é o que se vai suceder. Ainda que o mais provável seja uma situação tal como a  caracterizada  por George Orwell, na fábula "O triunfo dos porcos", ficamos a torcer para que, pelo menos, seja nomeado alguém para governar que consiga proporcionar a melhoria das condições de vida daquele povo. Ainda que os governantes se "governem" bem a si mesmos, pois a missão deles é difícil, que mereçam  a recompensa, pelos serviços prestados ao seu povo.     

Gostava, por fim, de esclarecer que parte das democracias da Europa, do mundo, tais como a portuguesa, não estão assim tão longe do "Faraó" deposto. Mas os portugueses estão longe da capacidade de união do povo egípcio. Ainda há pouco mostraram o seu alheamento, com uma tão elevada abstenção, nas últimas eleições. Numa época em que é tão preciso mostrar, pela positiva, a todos os políticos ,que estamos cá, que estamos atentos, olhámos para o lado, a assobiar, como se não fosse nada connosco.

Os governantes aqui, tal qual o velho Faraó, olham o povo das classes média baixa e baixa, de cima para baixo, como se se tratasse de gente de segunda. A aparência de liberdade e democracia, esconde grande hipocrisia, em muitos dos políticos, sejam eles do governo ou na oposição. O voto é livre, os representantes são eleitos, mas o poder não é o do povo. O interesse do conjunto, das Nações, está a ficar para trás. A solidariedade para com aqueles que são mais fracos, que não têm voz, é cada vez menor. 

Aprendamos com o povo Egípcio e votos de sucesso para a revolução das ruas desse povo milenar, cuja história tanto marcou a humanidade.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Descomplicando a relação ciência-espiritismo

Há quem estabeleça explicações complicadissimas, com termos da ciência material, ou convencional, para tentar demonstrar que as coisas do espírito existem e para chegar às leis que governam o mundo espiritual.

Na nossa limitada compreensão, o que nós espíritas necessitamos, no âmbito da ciência convencional,  não é de dizer ou escrever palavras caras ou cientificas, mas da confirmação da maioria da comunidade cientifica, de que há fenómenos espirituais, que, não só ocorrem, mas que não têm uma explicação cientifica alternativa.

Sem esta base de trabalho, não podemos esperar nem dizer a ninguém, com verdade, que a ciência convencional explica o espiritismo, como é comum ouvirmos dizer.
Allan Kardec era um homem com uma mentalidade cientifica. E tentou abordar as questões de acordo com essa forma de ver o mundo. Sendo ele mesmo um académico, nem seria de esperar outra coisa.  Contudo as investigações dele já datam de há mais de 150 anos.

Entretanto a ciência evoluiu muito. No século XXI os meios de investigação são muito mais poderosos do que século XIX. É necessário estudar os fenómenos com base numa metodologia semelhante á de Kardec, mas com base nos conhecimentos e meios científicos actuais.  

De que serve dizer aos cientistas que este ou aquele espírito disse, por intermédio de médiuns, isto ou aquilo? Primeiro é preciso mostrar que a comunicabilidade dos espiritos é um fenómeno efectivo e não é invenção  ou ilusão dos que se dizem médiuns.

Assim, enquanto espiritos de ordem superior à nossa não resolverem que vão convencer a comunidade cientifica a virar-se para seriamente para a investigação das coisas do espírito, de alguma forma (que nós nem imaginamos qual será), parece-nos que a postura mais correcta, para nós espíritas, é dizer: a ciência convencional não confirma nem desmente as coisas do espírito. Pura e simplesmente não as estuda. As evidências dos espíritas residem na comunicabilidade e nas comunicações dos espiritos através de médiuns, nada estando confirmado pela ciência convencional.

Mas será que o ateísmo é, então, a postura da ciência? 

- A resposta é clara: Não! 

A ciência só tem posição sobre aquilo que estuda, podendo tirar uma de três conclusões sobre os factos que observa:

- A ciência convencional explica o facto, ou
- A ciência convencional não explica, ou ainda não explica o facto, ou
- A ciência ainda não estudou o assunto.
Em relação às coisas do espírito, a postura da ciência não é, certamente a primeira possibilidade. Os cientistas baseiam-se em provas cientificas e não em palpites, seja de quem for. 

O ateísmo e o materialismo ( a palavra materialismo, neste contexto, significa: a postura de quem não acredita na possibilidade de existir algo mais do que a matéria), são, contudo, menos lógicos do que o espiritualismo, na medida em a ciência afirma que o universo foi criado, avançando estimativas para a idade e dimensão do mesmo.

A criação é algo que a humanidade ainda não compreende, sendo a inteligência das mentes mais brilhantes completamente incapaz de criar um universo assim. Tomara à humanidade compreender o universo, quanto mais criá-lo.

Aqueles que defendem que a criação é uma combinação fortuita de partículas materiais, acreditam de que, de nada, pode sair alguma coisa. Se o universo foi criado, é porque não existia antes ,  tal como a ciência admite. É muito mais credível do que pensar que há uma Inteligência Suprema, Causa Primeira de todas as coisas e chamar a essa  inteligência Suprema "Deus", "Alá", ou outro nome qualquer, pois o nome pouco importa.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Ano novo, vida nova!

A crise económica e financeira que Portugal e outros países atravessam, são razões para muitas pessoas temerem o ano novo que agora iniciou.

As probabilidades apontam para isso, mas há um potencial humano, que somos todos nós, capazes de inverter esse cenário, senão para 2011, para os anos seguintes.

Se procedermos conforme a lição do nosso Modelo e Mestre, Jesus, que incita à união, à solidariedade e ao amor ao próximo, poderemos traçar uma rota mais favorável e, quem sabe, as expectativas para 2012 já sejam melhores. Se ficarmos a matutar, de braços cruzados, a acusar-nos uns aos outros, até podemos ir mais para o fundo. Ou seja, tudo depende de nós mesmos.

Mas o que me parece mais importante salientar é que as previsões não passam de previsões. De um momento para o outro, a nossa vida na Terra pode virar a 180º, para melhor ou para pior. Uma pessoa bela, jovem, rica, poderosa, ou seja, um "feliz" da Terra, de um momento para o outro, pode ver-se na cama de um hospital, numa cadeira de rodas, ou dentro de um caixote de madeira envernizada. Por outro lado aquele  que é muito pobre, ou seja, um dos deserdados da vida terrena, pode tornar-se numa pessoa muito rica e poderosa.    

Para aqueles que não aceitam a realidade de que cada um de nós é um espírito eterno, provisoriamente ligado  à carne, eu desejo a melhor das sortes, mas infelizmente, a realidade é que este corpo que vestimos tem um prazo curto. Ou seja, encontram-se no corredor da morte, como os condenados. Não ter fé , só por si, é um autentico castigo.

Para aqueles que se vêem como espiritos eternos, a morte não existe. Só a carne morre. A perspectiva da morte do corpo, por um lado é animadora, mas, por outro lado, não garante que os sofrimentos cessam. Ser espiritualista por medo da morte não faz qualquer sentido. O suicídio nada resolve, uma vez  que não é possível matar o espírito. Pelo contrário, ainda trás mais sofrimento.

Eu sei que a morte não existe. Tenho evidências suficientes para isso, mas apenas a titulo pessoal. E como eu, milhões de pessoas. Mas, infelizmente, há por aí muitas pessoas que fazem da espiritualidade um negócio. E são esses que a descredibilizam.

Espiritualidade nada tem  a haver com dinheiro, adivinhação, nem superstição de qualquer espécie. E , estou completamente convicto, que quem pedir ao Nosso Pai de infinita bondade e justiça, com sinceridade e fervor, orientação para encontrar a fé, a encontrará. Assim aconteceu e continua a acontecer comigo. Pedi a Deus a fé e Ele trouxe-me a maravilhosa doutrina dos espiritos, através da Obra de Allan Kardec, que nunca mais abandonei, já lá vão 10 anos.    

A fé é a mãe da força e da coragem, ou seja, sem ela é mais difícil de suportar a vida. 

Caro leitor, não desperdice esse extraordinário e poderoso instrumento. Facilite a si mesmo!

Que a Luz do amor divino nos envolva a todos, neste ano de 2010

A equipa do CEDAK.PT

domingo, 24 de outubro de 2010

Espirito divino com coração de lobo feroz

Por mais que nós tentemos desviar a atenção para as qualidades do coração, temos um corpo animal e instinto de sobrevivência.

O lobo selvagem, quando o alimentamos, torna-se um amigo, um cão fiel. Mas, quando a fome aperta, o amigo fiel pode tornar-se num predador implacável, rosnando determinado de volta da sua presa, até a conseguir dominar e o sangue da presa vencida lhe esguichar para o focinho. E a guerra continua, na disputa da caça, no seio da matilha, que é governada pela lei da força.

Ao olhar para o lobo selvagem, a lutar pela sobrevivência, o que me incomoda não são as leis da natureza, criadas pelo nosso Pai de infinita bondade. O lobo selvagem não tem consciência do mal e do bem, está bem enquadrado no seu mundo. O que me assusta é ver em nós os mesmos, seres humanos, a ferocidade do lobo selvagem esfaimado, com a agravante que o fazemos mesmo com a barriga cheia.

E pergunto-me: quem sou eu? Será que eu sou um lobo disfarçado de cordeiro? Será que, em caso extremo, eu me transformo numa besta feroz, como o lobo esfaimado? Se, na alimentação, sou efectivamente predador, pouco ou nada posso fazer, em relação a isso. Há quem diga que podemos ser vegetarianos, talvez...Mas, sinceramente não estou muito preocupado com isso, por enquanto.

Contudo, não é que nos entra pela boca, ou seja, a alimentação, que faz de nós bestas selvagens, mas o que sai da mesma.

Não é o que fazemos por estar esfaimados que nos caracteriza como seres maus e ferozes. Nós vamos muito mais longe. Nós somos violentos mesmo quando temos a barriga bem cheia, quando temos infinitamente mais do que o estritamente necessário para sobreviver. E, quando se trata de falar das feras da Terra, de imediato nos esforçamos para nos distinguirmos delas, como se fossemos ovelhas inocentes. Tal qual lobos com pele de cordeiro.

Ao olhar para a violenta figura dos lobos raivosos de volta das suas presas, comparo-a com a minha própria figura, e vejo a distância tão grande que me separa dos mundos em que a lei divina é a lei que Jesus nos ensinou: o amor entre todos, a solidariedade fraterna. E tenho vontade de dizer em prece:

- Obrigado meu Deus, pela Vossa misericórdia, pelo Vosso amor paternal. Se não fosse isso, o que seria de mim? O que seria de nós?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ao contrário do Robin dos Bosques

Já há muito tempo que o povo português, em conjunto, está a ser mal tratado pelos governantes. Mas quem os escolheu, em eleições imparciais, foi o povo. Quem assim fez não tem de se queixar das suas próprias decisões. Quem não votou neles, deve respeitar as regras da democracia, se a quer manter (e se é que ela ainda existe...).

Mas isso não dá o direito ao governo de tratar de forma injusta e cruel aqueles que mais precisam da protecção da sociedade, e, paralelamente, a dar grandes privilégios aos que não necessitam de privilégios, pois são poderosos e têm acesso aos melhores advogados da praça.

Exigir o sacrifício da saúde e/ou a fazer passar fome aos mais necessitados, para dar aos mais ricos e/ou gastar em futilidades dispensáveis não é apenas falta de caridade, é um crime de excesso de confiança e a apropriação ilegítima do poder do povo, em beneficio dos futuros patrões (as grandes empresas que empregam os políticos) e dos amigalhaços.

Apropriar-se de fundos das segurança social , que são de quem para eles descontou, é um roubo muito grave.

Espero que o meu povo aprenda a deixar de ser manipulado pela comunicação social, que quer é discórdia, para vender mais, e que deixe de ser tão egoísta, unindo-se pacificamente, em torno dos seus próprios interesses, sem se deixar dividir por partidarismos.

E espero, também, que não passemos a ser um povo violento, como vemos em outros países, a estragar e a vandalizar automóveis, lojas e tudo o que aparece pela frente, a matar policias e civis, etc.. A voz da brutidade é a voz dos brutos. Quem não quer ser lobo, que não lhe vista a pele.

As palavras de Jesus: amai-vos uns aos outros, apontam para a união. A união faz a força e apela ao interesse comum, enquanto as divisões partidárias servem outros interesses que não os do povo. Não continuemos a dar "pérolas a porcos". Os partidos têm que existir, mas para servir o povo, e não o oposto.

A quem ler isto, eu peço que divulgue a mensagem de união pacifica, este apelo à lucidez das massas, compreendendo que a divisão serve os seus interesses e o interesse dos seus filhos e netos. Este apelo pode ser ingénuo, da minha parte, mas é a minha obrigação espirita. Não nos podemos conformar, em caso algum, com o ataque aos parcos bens e direitos dos mais desfavorecidos da sociedade.

A democracia portuguesa está ferida de morte. A lei, em Portugal, é roubar aos pobres para dar aos ricos. Pergunto quem simpatizaria com o Robin dos Bosques, se a história fosse ao contrário?

domingo, 12 de setembro de 2010

Vamos hoje falar em recompensas. Em castigos já há muito quem fale.

É difícil ao homem materialista (que não crê em nada para além da matéria) e carnal, imaginar a felicidade sem os gozos da matéria.

Contudo, se analisarmos a nossa vida, quais foram os verdadeiros momentos de felicidade? Haverá um prazer maior do que sentir o afecto que existe entre a nossa alma, e a daqueles a quem amamos?

Por melhor que sejam uns momentos de sexo, um manjar especial, que nos apetece repetir sem parar, quem trocaria isso pelo afecto da alma, pelos seus filhos, pelos seus pais? Pelo seus irmãos de sangue? Só quem não é amado e não ama pode estar impedido de compreender esse prazer divino, que é o amor verdadeiro, que vai muito para além da atracção e interesse material, é que poderá pensar assim.

Que diriam de um mundo em que todos têm afecto por todos, como se todos fossem familiares estimados? Em que a beleza de paisagens incomparavelmente mais belas do que a mais extasiante paisagem da Terra são o ambiente normal? Onde as doces melodias envergonhariam o maior dos compositores deste planeta onde habitamos? Onde não há cansaço, nem doença, nem tédio?

Contudo, a verdadeira felicidade é aquela que é descrita pelos espíritos felizes, que retirámos de exemplos de espíritos desencarnados felizes, que falam sobre a experiência do desencarne e do mundo espiritual (retirados do Livro "O Céu e o Inferno" de Allan Kardec). Mas estes são os espíritos que ainda há pouco tempo alcançaram o direito a deixar a Terra, no fim de grande número de encarnações. Desde a situação destes espíritos até à situação dos espíritos puros, ainda há eterna caminhada.

Leia o livro " O céu e o inferno", de Allan Kardec e ambicione à felicidade dos espíritos felizes que ditaram os seus próprios exemplos. Está na hora de pensar menos nos castigos e mais nas recompensas, pois é a perspectiva da recompensa que nos pode motivar a fé, mãe de todas virtudes e do progresso espiritual. Não a fé cega, que não enfrenta os desafios da razão.


SANSO
N

"Eu sou Espírito e a minha pátria é o Espaço, o meu futuro é Deus, que reina na imensidade. Desejara poder falar a meus filhos, ensinar-lhes aquilo mesmo que sempre desdenharam acreditar"

"Vi-me cercado de numerosos, bons e fiéis amigos. Todos os Espíritos protectores que nos assistem, rodeavam-me sorrindo; uma alegria sem par irradiava-lhes do semblante e também eu, forte e animado, podia sem esforço percorrer os espaços. O que eu vi não tem nome na linguagem dos homens."

"Os Espíritos nos ensinam, aí na Terra, que conservam no outro mundo a mesma forma que lhes serviu de envoltório, e é a verdade. Mas, que diferença entre a máquina informe, que penosamente aí se arrasta com seu cortejo de misérias, e a fluidez maravilhosa do corpo espiritual!"

"Sabei que a felicidade, como vós outros a compreendeis, não passa de uma ficção. Vivei sabiamente, santamente, pela caridade e pelo amor, e tereis feito jus a impressões e delícias que o maior dos poetas não saberia descrever."

"Quanto à nossa fluidez e graças a ela, podemos estar em toda parte sem interceptar o espaço ou produzir quaisquer sensações, se assim o desejamos."

"A vista dos Espíritos não se pode comparar à humana, uma vez que também seu corpo não tem quaisquer semelhanças reais; para eles tudo se transforma na essência, como no conjunto. Repito-vos que o Espírito tem uma perspicácia divina que abrange tudo, podendo adivinhar até o pensamento alheio; também pode oportunamente tomar a forma mais própria para tornar-se conhecido. Na realidade, porém, o Espírito que tem terminado a provação prefere a forma que o conduziu para junto de Deus."

"Não temos motivo para ser de natureza masculina ou feminina:- os Espíritos não se reproduzem. Deus criou-os como quis, e tendo segundo seus maravilhosos desígnios de dar-lhes a encarnação, sobre a Terra, subordinou-os aí às leis de reprodução das espécies, caracterizada pela junção dos sexos. Mas vós deveis senti-lo, sem mais explicação, que os Espíritos não podem ter sexo."

"o ar que respirais, impalpável como nós, estereotipa por assim dizer o vosso pensamento; o sopro que exalais é, mais ou menos, a página escrita dos vossos pensamentos lidos e comentados pelos Espíritos que constantemente se encontram convosco, mensageiros de uma telegrafia divina que tudo transmite e grava."

JOBARD


"Antes de tudo desejo descrever as minhas impressões por ocasião do meu desprendimento: senti um abalo indizível; lembrei-me instantaneamente do meu nascimento, da minha juventude, da minha velhice; toda a minha vida se me retratou nitidamente na memória."

"Depois, o tumulto serenou: eu estava livre e o meu corpo jazia inerte. Ah! meus caros amigos, que prazer se experimenta sem o peso do corpo! quanta alegria no abranger o Espaço!"

"Recordo-me das existências anteriores e sinto-me melhorado, por isso que me identifico com o que vejo, ao passo que, perturbado nas precedentes existências, só me apercebia das faltas terrenas."

"Ainda agora, pouco me tenho ocupado das questões puramente intelectuais, no sentido em que as julgais. E como poderia eu fazê-lo, deslumbrado e aturdido pelo maravilhoso espectáculo que me cerca?

SAMUEL FILIPE

"Oh! vós que me fizestes padecer na Terra; que fostes cruéis e malévolos para comigo, que me humilhastes e afligistes; vós, cuja má-fé tantas vezes me acarretou duras privações, não somente vos perdoo mas até vos agradeço. Intentando fazer mal, não suspeitáveis do bem que esse mal me proporcionaria. É verdade, portanto, que a vós devo grande parte da felicidade de que gozo, uma vez que me facultastes ocasião para perdoar e pagar o mal com o bem. Deus colocou-vos em meu caminho para aferir a minha paciência, exercitando-me igualmente na

prática da mais difícil caridade: a de amar os inimigos."

"Indizível sensação de bem-estar penetrava todo o meu ser, a presença dos que amara alegrava-me sem me surpreender, antes parecendo-me natural, como se os encontrasse depois de longa viagem. Uma coisa me admirou logo: o compreendermo-nos sem articular uma palavra! Os nossos pensamentos transmitiam-se pelo olhar somente, como que por efeito de uma penetração fluídica."

"Ah! pudessem os homens compreender a vida futura, e que força, que coragem esta convicção não lhes daria na adversidade. Quem deixaria então, na Terra, de prover e assegurar-se da felicidade que Deus reserva aos filhos dóceis e submissos? Gozos ambicionados, invejados, tornar-se-iam mesquinhos em relação aos que eles desprezam!"

"O mundo em que me vejo pode fazer com que desdenhe a Terra, mas não os Espíritos nela encarnados. Somente entre os homens é que a prosperidade faz esquecer os companheiros de infortúnio. Muitas vezes venho visitar os que me são caros, exultando com a recordação que de mim guardaram; assisto às suas diversões, e, atraído por seus pensamentos, gozo se gozam ou sofro se sofrem."

VAN DURST

"Não mais homens carnais, porém formas diáfanas, Espíritos que deslizam, que surgem de todos os lados, que vos cercam e que não podeis abranger com a vista, porque é no infinito que flutuam! Ter ante si o Espaço e poder franqueá-lo à vontade! Comunicar-se pelo pensamento com tudo que vos envolve! Que vida nova, meu amigo, nova, brilhante e cheia de ventura!"

"Aqui se vive às claras, caminhando com desassombro, tendo ante os olhos horizontes tão belos que a gente se torna impaciente por abrange-los"

SIXDENIERS

"Permaneci muito tempo sem me reconhecer, mas com a graça de Deus e o auxílio dos que me cercavam, quando a luz se fez, inundou-me. Confia, e encontrareis sempre mais do que esperardes. Nada existe aqui de material; tudo fere os sentidos ocultos sem auxilio da vista ou do tato: compreendeis? É uma admiração, porque não há palavras que a expliquem. Só a alma pode percebê-la.

Bem feliz foi o meu despertar. A vida é um desses sonhos, que, apesar da ideia grosseira que se lhe atribui, só pode ser qualificada de medonho pesadelo. Imaginai que estais encerrado em calabouço infecto onde o vosso corpo, corroído pelos vermes até à medula dos ossos, se suspende por sobre ardente fornalha; que a vossa ressequida boca não encontra sequer o ar para refrescá-la; que o vosso Espírito aterrorizado só vê ao seu redor monstros prestes a devorá-lo; figurai-vos enfim tudo quanto um sonho fantástico pode engendrar de hediondo, de mais terrível, e transportai-vos depois e repentinamente a delicioso Éden. Despertai cercado de todos os que amastes e chorastes; vede, rodeando-vos, semblantes adorados a sorrirem de felicidade; respirai os mais suaves perfumes; desalterai a ressequida garganta na fonte de água viva; senti o corpo palrando no Espaço infinito que o suporta e baloiça, qual a flor que da fronde se destaca aos impulsos da brisa; julgai-vos envolto no amor de Deus qual recém-nascidos no materno amor e tereis uma ideia, aliás apenas imperfeita, dessa transição. Procurei explicar-vos a felicidade da vida que aguarda o homem depois da morte do corpo e não pude. Será possível explicar o infinito àquele que tem os olhos fechados à luz e que não pode sair do estreito círculo que o encerra? Para explicar-vos a eterna felicidade, dir-vos-ei apenas: amai, pois só o amor faculta o pressenti-la, e quem diz amor diz ausência de egoísmo."

O DOUTOR DEMEURE

"Ágil como o pássaro que cruza célere os horizontes do vosso céu nebuloso, admiro, contemplo, bendigo, amo e curvo-me, átomo que sou, ante a grandeza e sabedoria do Criador, sintetizadas nas maravilhas que me cercam. Feliz! feliz na glória! Oh! quem poderá jamais traduzir a esplêndida beleza da mansão dos eleitos; os céus, os mundos, os sóis e seu concurso na harmonia do Universo?"

UM MÉDICO RUSSO

"Tudo que não seja planeta, constitui o que chamais Espaço e é neste que permaneço. O homem não pode, contudo, calcular, fazer uma ideia, sequer, do número de gradações desta imensidade. Que infinidade de escalas nesta escada de Jacob que vai da Terra ao Céu, isto é, do aviltamento da encarnação em mundo inferior, como esse, até à depuração completa da alma! Ao lugar em que ora me encontro não se chega senão depois de uma série enorme de provas, ou, por outra, de encarnações."

BERNARDIN

"Acreditaríeis então que os Espíritos ficassem inactivos? A inacção, a inutilidade ser-nos-ia um suplício. A minha missão é guiar centros espíritas aos quais inspiro bons pensamentos, ao mesmo tempo que me esforço por neutralizar os sugeridos por maus Espíritos"

A CONDESSA PAULA

"Tendes razão, amigo, em pensar que sou feliz. Assim é, efectivamente, e mais ainda do que a linguagem pode exprimir, conquanto longe do seu último grau. Mas eu estive na Terra entre os felizes, pois não me lembro de haver aí experimentado um só desgosto real. Juventude, homenagens, saúde, fortuna, tudo o que entre vós outros constitui felicidade eu possuía! O que é, no entanto, essa felicidade comparada à que desfruto aqui? Esplêndidas festas terrenas em que se ostentam os mais ricos paramentos, o que são elas comparadas a estas assembleias de Espíritos resplendentes de brilho que as vossas vistas não suportariam, brilho que é o apanágio da sua pureza?

Os vossos palácios de dourados salões, que são eles comparados a estas moradas aéreas, vastas regiões do Espaço matizadas de cores que obumbrariam o arco-íris? Os vossos passeios, a contados passos nos parques, a que se reduzem, comparados aos percursos da imensidade, mais céleres que o raio?

Horizontes nebulosos e limitados, que são, comparados ao espectáculo de mundos a moverem-se no Universo infinito ao influxo do Altíssimo? E como são monótonos os vossos concertos mais harmoniosos em relação à suave melodia que faz vibrar os fluidos do éter e todas as fibras da alma! E como são tristes e insípidas as vossas maiores alegrias comparadas à sensação inefável de felicidade que nos satura todo o ser como um eflúvio benéfico, sem mescla de inquietação, de apreensão, de sofrimento?! Aqui, tudo ressumbra amor, confiança, sinceridade: por toda parte corações amantes, amigos por toda parte!

"As ocupações, posto que isentas de fadiga, revestem-se de perspectivas e emoções variáveis e incessantes, pelos mil incidentes que se lhes filiam. Tem cada qual sua missão a cumprir, seus protegidos a velar, amigos terrenos a visitar, mecanismos na Natureza a dirigir, almas sofredoras a consolar; e é o vaivém, não de uma rua a outra, porém, de um a outro mundo; reunindo-nos, separando-nos para novamente nos juntarmos; e, reunidos em certo ponto, comunicamo-nos o trabalho realizado, felicitando-nos pelos êxitos obtidos; ajustamo-nos, mutuamente nos assistimos nos casos difíceis. Finalmente, asseguro-vos que ninguém tem tempo para enfadar-se, por um segundo que seja. Presentemente, a Terra é o magno assunto das nossas cogitações. Que movimento entre os Espíritos! Que numerosas falanges aí afluem, a fim de lhe auxiliarem o progresso e a evolução! Dir-se-ia uma nuvem de trabalhadores a destrinçarem uma floresta, sob as ordens de chefes experimentados; abatem uns os troncos seculares, arrancam-lhes as raízes profundas, desbastam outros o terreno; amanham estes a terra, semeando; edificam aqueles a nova cidade sobre as ruínas carunchosas de um velho mundo. Neste comenos reúnem-se os chefes em conferência e transmitem suas ordens por mensageiros, em todas as direcções. A Terra deve regenerar-se, em dado tempo - pois importa que os desígnios da Providência se realizem, e, assim, tem cada qual o seu papel."

"Como eu, também vós tereis a vossa prova da riqueza, mas não vos apresseis em pedi-la muito cedo. E vós outros, ricos, tende sempre em mente que a verdadeira fortuna, a fortuna imorredoura, não existe na Terra; procurai antes saber o preço pelo qual podeis alcançar os benefícios do Todo-Poderoso."